GREVE NA ESCOLA 

                  A porta da escola  estava  aberta e   não   havia ninguém   no   pátio.
Escola particular fazendo greve?  Entrei, estranhando um pouco o silêncio. Sentei. Fiquei olhando para todo aquele imenso prédio vazio. Só pode ser a greve  geral anunciada na televisão! - pensei. Mas imaginei    também que alguém estava furando  a greve.  Quem estava indo contra a parede e cumprindo o seu dever? Deveria ser uma pessoa muito corajosa! Certamente era o diretor,  aquele com jeito  de   super-homem da televisão, de ombros largos, parecendo ser muito forte e  que,   no entanto, era calmo. Resolvi ficar sentado ali até  que  ele  aparecesse. Ficaria   orgulhoso, chegaria   sorrindo para     mim e elogiaria a minha extrema   coragem  em vir  à escola, correndo perigo por ter atravessado  as ruas no meio dos grevistas violentos. É, os jornais  e as televisões sempre dizem que os grevistas causam problemas. Então, eles devem gritar, bater, empurrar e atrapalhar os heróis, que como eu, desafiam CUT e CGT para  chegar na   escola. Eu não vi, na verdade, pessoas brigando e correndo pelas ruas. Achei o caminho até triste, sem outros colegas vindo para as aulas. Lógico! Ficaram com medo, aqueles idiotas. Fossem corajosos e heróicos como eu, estariam aqui e nós já estávamos dentro das classes. Puxa! Meus  professores também são covardes. Nenhum deles desafiou a parede. Todos estão participando da greve, mas, entendo, ganham um salário  de  escravo. Ouço passos. Melhor fechar os olhos e esperar os elogios. Escuto: - Menino, é melhor ir para casa. Estamos de férias, as aulas de recuperação terminaram ontem e abri o prédio só para fazer uma limpeza.

Olhos arregalados, boquiaberto, engulo o faxineiro...

     
                                                               Marcimedes


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